Coletânea

domingo, junho 05, 2005

 

Hoje eu não vou pra escola

Conto infantil
Não vou, já decidi que não vou. Prefiro ficar aqui na cama, pensando milhões de coisas, no meu instituto de morcegos e no sonho que eu tive. Adoro ficar lembrando dos sonhos. Além do mais, detesto esse tempo fechado chuvoso, parece que o dia inteiro é à tarde, que são eternamente cinco horas (quer dizer, dezessete) até anoitecer. Então, eu fico pensando: “Não tem manhã hoje”, e me dá vontade de ficar aqui na cama o dia todo, até amanhecer de verdade. O que só vai acontecer no outro dia. Aí eu penso: “Então eu não vou pra escola”, e fico na cama até me dar fome ou coceira de levantar, o que vier primeiro.
Mas hoje eu não vou, já decidi; ainda mais hoje, que tive um sonho ótimo: a minha mãe tinha me levado para uma casa linda, com planta, árvores, natureza à beça, e tinha um balanço na árvore maior de todas. Aí eu fiquei me balançando o tempo todo, pra lá, pra cá, a maior alegria! Não me preocupava com nada. Minha mãe nem falava em escola, nem tinha! E eu só ficava pensando que queria ficar lá pra sempre.
E agora me lembrei do meu instituto de morcegos; é porque quero desenvolver essa idéia, e não me lembro de como o sonho acabou. Acho que foi assim mesmo: fiquei lá pra sempre. Aí eu fico imaginando o resto: será que eu fiquei feliz (como nas histórias) ou eu comecei a ter saudade dos meus amigos, da professora, do meu cachorro? Provavelmente eu ia ter saudade. Então eu fico pensando: não ia adiantar nada ficar lá pra sempre, ia acabar enjoando. Que droga!

Mas aí eu enjôo mesmo é de ficar pensando no sonho, e começo a mudar de pensamento: meu instituto de morcegos. Aí eu fico todo emplogado, começo a me mexer na cama: meu instituto de morcegos! Igual ao Butantã, só que esse é de cobras; foi lá que eu tive a idéia. Eu ia trabalhar o dia todo lá, além de ser o dono, é claro. Ia ficar pesquisando tudo sobre os morcegos, a vida deles, o que comem, como se reproduzem, todas aquelas coisas legais que a gente aprende na escola e que às vezes é meio chato, eu ia descobrir sozinho. E depois... depois, aí sim, a grande idéia: eu ia descobrir TUDO sobre aquela história dos vampiros. É claro, eu teria que ter um morcego daqueles que viram vampiros, e como eles são raros o meu instituto teria que ser bem grande. Então eu teria uns mil morcegos, e pelo menos um deles seria o vampiro. Mas eu levaria anos para descobrir qual é, então eu precisaria ser um ótimo, excelente (o melhor de todos!) pesquisador de morcegos. E aí, tchan tchan tchan tchan, eu descobriria o segredo dos vampiros! Seria igual ao Butantã, o meu instituto: fabricaria antídotos contra o veneno dos vampiros, e aí ninguém mais viraria vampiro. Porque quando uma pessoa é mordida, nada mais resta a fazer: tem que matar a pessoa, é horrível. O meu instituto, então, ia salvar um monte de gente! Eu ia ficar famoso, rico, aparecer na televisão e tudo. Minha mãe ia ficar toda feliz!

Ou então (já pensou?) ela não ia gostar nem um pouco: Que história é essa de morcegos, Marquinhos? Você não disse que ia ser bombeiro? Eu ia falar: Eu sei, mãe, mas agora eu já desisti, vou salvar as pessoas mas de outro jeito. Ela ia falar: É, mas e se os vampiros não existem? Se é tudo mentira dos filmes, dos livros? Você vai passar a vida toda pesquisando à toa. Eu ia dizer: Mas EU SEI que eles existem, mãe! E ela ia acabar aceitando.

Por falar na minha mãe, aí vem ela: já tô escutando os passos do chinelo. Vai abrir a porta, espantada porque ainda não acordei, vai me chamar pra tomar café. E eu vou ter que ir! Ah não, tava tão bom aqui! Vou cobrir a cabeça com o lençol.

– Marquinhos! Ainda não levantou? Anda logo, senão vai perder a hora!

E se eu finjo que estou dormindo, ela vem devagarinho e me cutuca:

– Filhinho, acorda, já tá na hora de ir pra escola.

Ah, droga, não vai ter jeito: vou ter que ir. Descubro a cabeça e olho pra minha mãe: tá com a cara tão engraçada, de sono, e com um sorriso tão bonito que eu abraço ela: mãaae! E pensando bem, acabei de me lembrar: hoje vai ter aula de laboratório! E o Carlinhos vai levar as revistinhas, pra me emprestar. Levanto, todo feliz, oba! Já tô indo, mãe, já tô indo.

Comments:
Liindo!!
 
Oi Norma!
Me emocionou....
 
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Amei!
De vez em quando também escuto essa frase aqui em casa.
Espero que venha acompanhada de todo o restante do texto... rs rs ...
Bjus,
Samantha IP ponta da Areia/rj
 
Nice Post Love Reading Its

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